Não tem final feliz.
Não tem o garoto dos seus sonhos.
Nem a garota mais bonita da escola.
Nessa história só tem sangue.
Só tem dor.
Só tem mágoa.
Só tem ódio.
O garoto acordou.
Mais um dia comum.
Não se sentia bem.
Mas tinha que trabalhar.
Cabelo despenteado.
Maltrapilho.
Rotina infernal.
Na boca o gosto amargo.
Ressaca.
A triste consequência do estado eterno de felicidade.
Sai de casa tarde.
Atrasado.
Chovia muito.
Mudou de ideia.
Não foi trabalhar.
Pensar.
Aquele velho lugar.
O mar.
Ligou para Ela.
Silencio.
Medo.
"Te vejo a noite".
Será?
Parou no bar.
Embriagou-se.
Pensou em morrer.
Pensou em matar.
Parou de pensar.
Escuro.
Não vê.
Só ouve...
Sente o sangue.
A fraqueza.
A dor no peito.
Desilusão.
Levanta.
Visão turva.
Céu nublado.
Cidade cinza.
A curva na rua.
A rua de casa.
Cambaleando volta.
Não abre a porta.
Dorme na sarjeta.
Ela o acorda.
Remorso.
Vergonha.
Ouve o sermão.
Não absorve nada.
Nesta noite.
Vai sair,
vai jogar, vai beber, vai fumar, vai morrer.
Mas ainda não sabe.
A verdade?
Não se importa.
Se mata aos poucos.
Fingi mudar.
Mas o ódio controla.
As lembranças destroçam.
Homem , mas já sem alma.
Mundo inconcebível.
Embrulha o estômago.
Sabe como a vida funciona.
A fiel mulher - amante de um outro homem qualquer.
O homem devoto - deixa a igreja pelos bares nos domingos .
Eu sei.
Eu vi tudo do alto.
Conheço a história.
EU a escrevi.
Que assim seja."
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